Destaques da Semana

  • 2005-10-03 - Raiva |  por Hospital Veterinário de Trás-os-Montes
  • A raiva é uma zoonose (doença transmitida ao Homem) infecto-contagiosa que afecta os animais domésticos e selvagens de sangue quente. O cão é o animal doméstico mais afectado por esta doença, ocorrendo moderadamente nas ovelhas, cabras, cavalos e, muito raramente, nos gatos. Os animais selvagens mais susceptíveis são o morcego, a raposa, o coiote, o guaxinin, a doninha e o lobo.

    A história da raiva remonta a 2000 anos A.C. quando Aristóteles reconheceu que a doença era transmissível entre cães através da mordedura. Quando em 1885 uma criança de 9 anos foi mordida por um cão raivoso, Louis Pasteur ministrou-lhe uma vacina, tornando-se o primeiro ser humano imunizado com sucesso, que não desenvolveu a doença.

    A raiva é a 10ª virose mais mortal em todo o mundo. Existem aproximadamente 55 000 mortes anualmente ocorrendo a  maioria nos países do terceiro mundo.

    O vírus transmite-se através da saliva por mordedura de um animal infectado e, ocasionalmente, por aerosol ( espeleologistas que respiram altas concentrações do vírus em grutas infestadas de morcegos). O vírus pode sobreviver fora do hospedeiro, permanecendo viável numa carcaça por mais de 24 horas a 20ºC e vários dias se esta estiver refrigerada. Os carnívoros podem também apanhar a raiva comendo presas infectadas.

    A raiva é considerada uma doença fatal, contudo existem alguns casos raros de recuperação espontânea.

    O período de tempo que decorre desde a mordedura até ao aparecimento dos primeiros sintomas pode variar nos cães e gatos entre 4 a 8 semanas e no humano de 2 semanas a 1 ano.

    O cão adquire frequentemente a forma da raiva “furiosa”. Apresenta alterações de comportamento, agitação, dor na cicatriz, alterações na vocalização e hidrofobia. Posteriormente manifesta sintomas paralíticos com dificuldades respiratórias.

    Os sintomas no Homem são inespecíficos incluindo fadiga, dores musculares, ansiedade, irritabilidade, agitação, insónia, dores de cabeça, náuseas, vómitos e dores abdominais. Um verdadeiro sintoma é dor, comichão e dormência no local da mordedura. Também pode ocorrer a raiva furiosa.

    Nos cães e gatos não se ministra nenhum tipo de tratamento, unicamente se deve aplicar obrigatoriamente, no nosso país, uma vacina nos cães apartir dos 4 meses de idade e uma revacinação anual.

    Para prevenir a difusão da doença aos humanos o animal suspeito deve ficar de quarentena numa entidade de saúde publica competente durante 15 dias após a mordedura para detecção de sintomas.

    Para mais informação contacte o seu Médico Veterinário

                                                           

    Dr. Paulo Pimenta

    Director clínico

    HOSPITAL VETERINÁRIO DE TRÁS-OS-MONTES